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sábado, 21 de abril de 2018

DE ESTREMOZ À TOUROS: As raízes da futura Vila de Touros

Diante dos recentes estudos sobre a História do Rio Grande do Norte uma questão tem tomado forma e venho questionando-a constantemente. Diante disso chego a conclusão de que o ato de estudar o passado de Touros também passa pela busca do conhecimento da hoje atual cidade de Extremoz/RN.

Vamos voltar um pouco no tempo para entender essa questão...


Estudar o passado da região que atualmente corresponde ao município de Extremoz passa pelo estudo do período colonial no RN. Alguns documentos régios da época merecem destaque. O primeiro deles é  o "Auto da Repartição das Terras da Capitania do Rio Grande", datado do ano de 1614. Tal registro indica a concessão de pelo menos 05 sesmarias* (chamadas também de datas ou dadas de terras*) destinadas aos padres da Companhia de Jesus, os conhecidos Jesuítas.


Para além das disputas conhecidas entre os Jesuítas e o Poder Monárquico, cabe ressaltar que a participação dos Jesuítas fora primordial para a construção da História de Extremoz, e porque não de Touros? 


Diante dessa assertiva, trago uma breve citação da Professora Marta Maria de Araújo que informa:
"Por volta de 1678, foi criada a primeira Missão de Aldeamento de Guajiru (hoje cidade de Estremoz), com invocação a São Miguel, e onde, sob ordens dos padres jesuítas José da Silveira, Pedro Nogueira, Luís de Mendonça, José de Amorim, Antônio Pinto e João de Gouveia, construíram-se 1759, um templo e um hospício (leia-se um convento)" (ARAÚJO 2005: 219).



A antiga Igreja dos Jesuítas em Estremoz, (MIRANDA 2005)

Já no século 18, mais precisamente no ano de 1758, a então Regente D. Maria enviou duas Cartas Régias para o Governador de Pernambuco, Luiz Diogo Lobo da Silva, que ressaltava sobre a criação das novas leis e determinando que as antigas Missões de Aldeamentos fossem transformadas em Vilas.


Com isso, na manhã do dia 03 de Maio de 1760 foi funda a Real Vila de Estremoz por meio do Ouvidor Bernardo Coelho da Gama e Casco. E a antiga "Missão de Guajiru" passaria à "Igreja e Vigararia de Nossa Senhora dos Prazeres e São Miguel da Vila Nova de Estremoz do Norte" (MARTINS 2005: 103).

Com a expulsão dos Jesuítas do Brasil a Igreja Católica passava a assumir por completo o poder eclesiástico da Colônia. Cerca de Seis décadas depois, em 1832, por meio de Projeto de Lei do Conselho Geral da Província do RN, aprovado em Fevereiro do mesmo ano, e transformado em Lei Provincial a 5 de Setembro de 1832, ocorre o desmembramento do território eclesiástico que corresponderia a futura Freguesia do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, no Porto de Touros. Ficando assim distribuído:
Estremoz - Freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres e São Miguel
Touros - Freguesia do Senhor Bom Jesus dos Navegantes

Concluindo a separação do território político com a Lei n. 21 de 27 de Março de 1835, efetivada pela Assembléia Legislativa Provincial. Sendo assim, o Porto dos Touros se tornaria definitivamente independente do território de Estremoz.

(Ruínas da Igreja de São Miguel, o que sobrou do passado Jesuítico em Estremoz)
     

Considerações Finais

A missão de estudar e contribuir para o "re-conhecimento" do passado de um povo é árdua e profunda, mas, diria que além de necessária, é gratificante. A questão levantada brevemente nesta postagem tem o objetivo primordial de chamar a atenção para uma visão que muita das vezes ficou esquecida ou mesmo não foi trazida a tona por quem deveria. Carecemos de mais estudos, isto é certo, no entanto, já é possível vislumbrar e reconhecer a estreita relação que a então Real Vila de Estremoz teve com a futura Vila de Touros.

"A história é o homem; é nele a permanência de sua vocação maior - a transmissão da cultura" (DORIAN GRAY CALDAS, 2005)


FONTES:

ARAÚJO, Marta Maria de. Escolarização e missões jesuíticas na Capitania do Rio Grande (1597 - 1760). Revista Educação em Questão, v. 22, n. 8, p. 206 - 231, jan./abr. 2005.

CALDAS, Dorian Gray. Saudação. Cibele de Ipanema. Tribuna do Norte, Natal, p. 6, 18 set. 2005.

LOPES, Fátima Martins. EM NOME DA LIBERDADE: AS VILAS DE ÍNDIOS DO RIO GRANDE DO NORTE SOB O DIRETÓRIO POMBALINO NO SÉCULO XVIII. Tese de Doutorado em história, UFPE. Recife, 2005.








quinta-feira, 31 de agosto de 2017

ROZA: UMA FILHA DE ESCRAVA TOURENSE


Desde o período colonial (1530-1815) até o ano de 1888 (abolição da escravatura) a escravidão foi exercida de forma ampla por parte dos Portugueses sobre os negros africanos. A exploração da mão de obra de negros trazidos da África e transformados em escravos no Brasil foi feita durante vários anos em nosso País.

O primeiro registro de batismo de uma filha de escrava em Touros se encontra na imagem abaixo. Fruto de nossas pesquisas em documentos de batismos do século XIX, que se encontram no arquivo da Arquidiocese de Natal, valiosas e inéditas informações estão sendo gradativamente divulgadas e estudadas. 

Na vila de Touros, do longínquo ano de 1834, "Roza" foi batizada na Igreja Matriz. Filha natural de Catharina, que, por sua vez, era escrava de Soteris da Silva, nasceu no dia 30 de Agosto de 1834 e foi batizada em 20 de Setembro do mesmo ano. Foram padrinhos José Martins de Souza e Januária.






Os documentos de batismos surpreendem a cada nova pesquisa por seu conteúdo rico e abrangente, servindo, ainda, de base para o estudo aprofundado de nossas raízes. Saber mais sobre nossos antepassados é um dever e uma necessidade. Quem éramos, como éramos, o que fazíamos? São perguntas que norteiam nossos estudos históricos. 



domingo, 23 de julho de 2017

FRANCISCO ANTONIO DOS SANTOS: O popular "mechinha"


Francisco Antonio dos Santos, tourense, nascido no dia 11 de Abril de 1936. Fruto da união de Antonio dos Santos e Hilda Nazária do Nascimento. Teve ainda mais 06 (seis) irmãos, sendo eles:


Homens:

  • Ciço
  • Antonio José da Cruz (babau)
Mulheres:

  • Maria "Pinico"
  • Maria Ciça
  • Maria da Cruz
  • Branca

Popularmente conhecido por "mechinha", o pescador aposentado Francisco Antonio dos Santos vive atualmente em sua humilde residência na Rua Tabelião Júlio Maria, no Centro de Touros. Cercado por seus netos, este ilustre tourense passa grande parte de seu tempo sentado em sua calçada, acenando e sempre brincando com quem passa por aquela rua. 

O sorriso constante em seu rosto esconde os tempos difíceis que ele passou quando criança, ainda na década de 1930, em Touros. Dentre tantas outras lembranças, ele se recorda do acampamento que os militares do Exército fizeram na cidade durante a Segunda Guerra Mundial, nos anos de 1944-45. 

A pesca entrou na vida dele quando ainda tinha 11 (onze) anos de idade. Chegou a pescar com o grande violeiro e seresteiro da cidade, o "Senhor Pereira". Dos tourenses mais conhecidos na cidade ele guarda lembranças de José Porto Filho, ex-prefeito de Touros, também conhecido como "Zé Porto" e do ilustre tourense Júlio Maria do Nascimento, aliás, este último, recebeu homenagem incluindo o nome da rua em que o Senhor "Mechinha" vive hoje.  



Ao longo de sua vida, o senhor "mechinha" trabalho com pesca e agricultura, entretanto, a pescaria foi sua principal atividade. Ao longo de suas 08 (oito) décadas de vida em nossa cidade, este ilustre filho de Touros tem muito que contar. Ele guarda lembranças de nossos antepassados, nossos pais e avós, possuindo muitas experiências que traduzem-se em suas práticas culturais, suas crenças e valores. O nosso pequeno torrão tem muito para nos revelar ainda e por meio de pessoas como este bravo pescador. Um verdadeiro sobrevivente no tempo e no espaço, vivendo num lugar tão precário como era o nosso, sem saneamento básico, inexistência dos serviços mais essenciais para a sobrevivência humana. Durante o seu breve relato, o Senhor "Mechinha" contou que muitas vezes teve que comer farinha com guajirú, demonstrando, assim, um pouco das grandes dificuldades de outrora.   

Fica registrada nossa singela homenagem dedicada ao grande homem, pescador, pai de família e filho de Touros. Nosso torrão se orgulha de possuir pessoas como você que participaram da construção de nossa cidade. 


FONTE: As informações contidas nesta postagem foram coletadas na casa do entrevistado, durante o mês de Janeiro de 2016.


sábado, 1 de julho de 2017

A BICENTENÁRIA IGREJA DE TOUROS

(Foto datada do ano de 1934)

A imponência e beleza da Igreja Matriz do Bom Jesus dos Navegantes impressiona a todos que visitam nossa cidade, sejam turistas ou religiosos. Abaixo, transcrevi algumas passagens do livro "Touros: uma cidade do Brasil", escrito pelo saudoso tourense Nilson Patriota. Nas passagens do referido livro pode-se verificar um pouco da realidade e história da sociedade tourense traduzida por meio deste importante monumento arquitetônico. 

  
Como se deu a construção da Igreja?

"Como nas demais construções coloniais da cidade, que antigamente eram vistas, também na edificação da igreja foram empregados embolos e lascas de pedras arrancadas à ponta do Touro, fortificação natural, de areia, barro e rochas, protegendo a enseada, pelo leste, do avanço do mar. Tais pedras, transportadas pelos moradores em seus próprios ombros, foram a principal matéria-prima da obra. Quando por demais volumosas e pesadas, eram carregadas em padiolas fabricadas de couro cru e paus" (PATRIOTA, p. 250).

De onde veio a madeira e outros materias?

"Segundo a tradição, parte da madeira de lei utilizada na construção da igreja foi extraída da mata que então beirava o povoado. [...] outros materiais, como lajotas, objetos de cobre, ferro, zinco, estanho, latão, vieram de Pernambuco. Dali também vieram algumas das imagens que adornaram os altares e que foram esculpidas por artesãos portugueses, pernambucanos, mineiros" (PATRIOTA, p. 250).

Como se formou a vila do Porto dos Touros?

Edificada a capela, a povoação do Porto dos Touros passou a se desenvolver em torno da mesma. As choças e taipas que anteriormente se dispersavam acompanhando o curso do Jiqui, tenderam a se agrupar e a formar ruas próximas ao templo. Onde antes existia apenas a casa da viúva Micaella Arcângella do Espírito Santo, a Rua do Capim foi sendo alinhavada. Aí nasceu a cidade atual (PATRIOTA, p. 251).

REFERÊNCIA:

PATRIOTA, Nilson. Touros: uma cidade do Brasil. Natal (RN): Departamento Estadual de Imprensa, 2000. 476 p. 




segunda-feira, 1 de maio de 2017

Documento de Posse do Vigário Félix Alves da Cruz

Durante a maior parte dos anos oitocentos, na então Villa dos Touros, a liderança eclesiástica foi exercida pelos vigários. A palavra Vigário tem sua origem no idioma latino, 'vicariu', que pode significar como sendo "aquele que faz as vezes do outro". Tendo ainda algumas variações como Vigário-Geral; Vigário da Vara, etc. 

Devido a grande força religiosa e política que a Igreja Católica exerceu no Brasil Imperial a figura do vigário teve um papel importantíssimo nas mais diversas povoações do nosso País. O vigário possuía várias obrigações, não apenas funções religiosas, como a realização de cerimônias de casamento, batizados ou funerais, mas, e também, era visto como um grande personagem social e político para a sociedade dos mais distante rincões de nosso Brasil. 

Abaixo, temos o fragmento do documento de posse do Vigário Félix Alves da Cruz. 

"Aos cinco dias do mês de Outubro de 1834 fui aposado da Parochia do Senhor Bom Jesus dos Navegantes desta Villa dos Touros. Dei et anno ut Supra".


(Página 11 do Livro de Batismo referente aos anos de 1834-1845)

O trabalho de valorização da história de um povo é lento, gradativo e, acima de tudo, árduo. Desde já, agradecemos à todos que prestigiam e ajudam a divulgar e disseminar nosso trabalho.  





sábado, 15 de abril de 2017

BATISMOS DO SÉCULO XIX NA VILA DOS TOUROS


Durante alguns dias dos meses de Dezembro (2016) e Janeiro (2017), na busca pelo aprofundamento a respeito da cultura do povo tourense, foi realizada uma pesquisa exploratória no arquivo da Arquidiocese de Natal que teve como objetivo principal fotografar o conteúdo existente no primeiro Livro de Batismo da Freguesia do Senhor Bom Jesus dos Navegantes. Infelizmente as dez (10) primeiras páginas do referido documento não existem mais. Além de várias páginas que se encontram impossibilitadas de serem lidas pelo fato da ação forte que a tinta utilizada na época causou ao longo do tempo. Entretanto, o Livro de Batismo caracteriza-se como uma grande e valiosíssima fonte de informação histórica, social e cultural referente à sociedade tourense do Século XIX.

O livro possui diversos registros de batismos que vão desde o ano de 1834 até 1845, ou seja, mais de uma década de registros batismais. Nesta primeira postagem selecionamos o primeiro batismo que se encontra em totais condições de leitura e interpretação. Na transcrição será possível identificar o dia, mês e ano tanto do batismo quanto da data de nascimento, os nomes dos pais, dos padrinhos e por fim o nome do Vigário responsável.

Esperamos que apreciem com atenção e ajudem-nos divulgando mais uma matéria do nosso Jornal Cultural. 


(Página 11 do Livro de Batismo referente aos anos 1834-1845)

                      " Aos sinco dias do mes de Outubro de mil oito centos
                         e trinta e quatro na Igreja Matriz Batizei so-
                         lenemente e dei aos Santos Meos a Joana; bran-
                         ca nascida a vinte e quatro de Junho de mil
                         oito centos e trinta e quatro filha legítima de
                         Manoel Francisco da Silva e de sua mulher
                         Rita Caetana dos Prazeres, forão Padrinhos Ma-
                         noel Dias Tavares e sua mulher Anna Joaqui-
                         na do Nascimento. Todos moradores nesta Fre-
                         guesia. E para constar fis este em que me as-
                          signo (?)              Vigr.o Felis Alves da Cruz"


Obs: Tentou-se preservar a ortografia original do documento.

sábado, 17 de outubro de 2015

Grupo Escolar General Florêncio do Lago: um breve histórico.


Prédio em 1969


Nos dias atuais, quem passa pela Rua Coronel Antonio Antunes, no centro de Touros, se depara naturalmente com o prédio do atual Grupo Escolar General Florêncio do Lago. Tentando trazer um pouco de conhecimento sobre nossa própria história, iremos conhecer um pouco mais da trajetória deste monumento material, e imaterial, do nosso município, local este que serviu de base para a formação de muitos tourenses e que ao longo dos anos passou por diversas dificuldades, mas conseguindo superar todas elas, continua firmemente atuando diretamente na vida de nossas crianças, jovens e adultos da nossa vila.  

O início: Em 05 de Outubro de 1927, foi criado por decreto, o "Antônio do Lago", como é conhecido na cidade, tendo sido concluído na administração de Joel Christino de Medeiros. Entretanto, sua inauguração, solene e festivamente, aconteceu no dia 15 de Abril de 1928. Na ocasião, esteve presente o Governador José Augusto de Medeiros, que veio até a cidade para esta finalidade.  

Dentre suas primeiras professoras, podemos destacar: Ezilda Elita da Silva, no ano de 1928; Laura dos Santos, em 1929, e Anna Anita de Mello, professora no "Cel. Antonio do Lago" em 1929 e 1930.
O nome: A instituição escolar, nos dias de hoje, recebe alguns nomes diferente daquele que está escrito no alto da fachada da própria escola que é: Grupo Escolar General Florêncio do Lago. Alguns desses nomes que são usado normalmente entre os populares são: o "Grupo" e  "Antônio do Lago". Contudo, o nome do Grupo Escolar mais antigo da cidade de Touros, faz referência a um dos mais célebres cidadãos tourense, o Coronel Antonio Florêncio Pereira do Lago. Este, que nasceu no distrito de São José de Touros, a 10 de maio de 1825, e se tornou um dos homens mais influentes quando da proclamação da República em 1889, chegando a assumir a junta governamental do estado do Amazonas e realizou a planta topográfica da cidade de "Desterro", atual Florianópolis. Dentre tantas habilidades, dominava a topografia e foi um exímio militar, fato comprovado em sua participação na Guerra do Paraguai, onde foi um dos principais atores da Retirada de Laguna, de 1864-1870.



Fachada da escola em 2014


A escola nos dias de hoje: Atualmente, a escola tem o importante papel de formar os alunos de nosso município, do 1º ao 5º ano da educação básica e ainda conta com o EJA (Educação de Jovens e Adultos). Recentemente o prédio histórico passou por uma reforma que, por sinal, se fazia necessária há anos. Durante o período da reforma, as atividades letivas da escola foram direcionadas para outro local de ensino dentro da própria cidade, a saber, Colégio e Curso Exemplo. Terminada a reforma, a atividades voltaram normalmente para o seu lugar de origem, o histórico prédio situado na rua Coronel Antonio Antunes, no centro da cidade. 


Alunos em frente ao prédio se preparando
para mais um desfile de 07 de setembro.
Por fim, podemos verificar de forma simples, e superficial, a importância que o "Grupo", ao longo dos anos vem exercendo na vida de muitos cidadão tourenses, formando e preparando nossa juventude para os desafios vindouros. Este que vos fala, estudou na referida instituição escolar entre os anos de 2000 a 2003, e sinto-me particularmente muito honrado em ter feito parte da história dessa escola.






Referências Bibliográficas:

http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira- republica/LAGO,%20Ant%C3%B4nio%20Flor%C3%AAncio%20Pereira%20do.pdf (On-line)

Patriota, Nilson. Touros: uma cidade do Brasil. DEI, Natal, 2000. 





domingo, 19 de julho de 2015

Precursores da Música Instrumental em Touros.

(Jazz-Band Touros, década de 1920) 
      O Conjunto Musical denominado Jazz-Band Touros, foi fundado nos anos de 1920 através da iniciativa do maestro Júlio Maria do Nascimento,  com os seguintes componentes: Júlio Maria do Nascimento (Saxofone); Francisco Rodrigues de Oliveira,"Francisquinho de Gustavo" como era conhecido, (Bateria); Edvaldo Henrique do Nascimento (Trombone); Manoel Joaquim de Oliveira, "Nequinho de Regina", (Banjo); Geraldo Lopes de Souza (Pandeiro); Antônio Lopes, "Tota de Zé Bendito", (Cavaquinho).



O grupo musical se apresentava em vários tipo de eventos, sempre movido pelo poder da música de alegrar e interagir juntamente com aqueles que escutam. 

          Jazz-Band Touros é considerado o mais antigo conjunto musical possuidor de instrumentos de sopro em nossa Vila. Sendo assim, podemos considerar que a nossa atual Banda de Música Tabelião Júlio Maria, fundada em 1983, foi influenciada diretamente por este conjunto, tornando-se o mesmo precursor do aparecimento dos instrumentos de sopro em nossa cidade. 

    

(Banda de Música Tabelião Júlio Maria, desfile 07 de Setembro de 2014)



Fonte: Livro: Touros, uma cidade do Brasil.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Luiz Barbalho Bezerra e os Canhões Colonias

Luiz Barbalho Bezerra, Militar e Político
Brasileiro do Séc. XVII
Desde muito tempo até os dias atuais, tem-se conhecimento da existência de 03 (três) Canhões Coloniais, que atualmente se encontram em frente a Igreja Matriz, que serve de ponto turístico obrigatório para os poucos turistas que visitam a pequena "Vila" durante todo ano. Já para os moradores, esse local fez parte da infância de muitos, servindo de espaço para várias brincadeiras e também passeios inesquecíveis em cima dos Canhões, como diria os tourenses.

Porém, a publicação de hoje nos leva um pouco mais a fundo sobre este assunto.Vamos conhecer o início de toda essa história e a relação entre os Canhões Coloniais e o Mestre de Campo "Barbalho".

Luiz Barbalho Bezerra, nasceu nos fins do Séc. XVI em Pernambuco. Quando os Holandeses começaram a dominar o Nordeste, ele já era Militar. Foi prisioneiro para holanda, conseguiu fugir para a espanha, passou a lisboa, organizou um terço e partiu para o Brasil.¹ Depois de um fracasso da Armada Real Portuguesa entre os anos de 1638 a 1639 contra os Holandeses, ele foi enviado pelo Conde da Torre, que após a derrota da primeira batalha, ficou preocupado com a defesa da Bahia, e por um pedido de precaução dos capitães do Mestre de Campo Barbalho, como se pode ver abaixo:
Imagem dos Canhões Coloniais em 1959.
" E propuseram ao Conde da Torre a necessária providência e socorro, que devia deixar em terra em qualquer dos portos daquela costa de onde pudessem marchar pelo sertão para a Bahia".²

Os bravos da Armada Portuguesa desembarcaram em nosso Litoral no dia 7 de Fevereiro de 1640 e o porto escolhido foi justamente o "Porto do Touro".


" E no porto do Touros 14 léguas do Rio-Grande para o  Norte deixou a armada ao mestre de campo Barbalho com mil e trezentos infantes." ²

Trazendo com eles os Canhões que por muito tempo ficaram no "tourinho" e só em 1956, por iniciativa do Prefeito Antonio Severiano da Câmara, foram retirados de suas carretas originas e levados para o local onde até hoje se encontram, levando-nos a crer que apesar do acaso a nossa cultura foi feita ao longo dos séculos por homens importantes não só no nosso estado, mas sim em todo o Brasil. Luiz Barbalho Bezerra é um deles, e sua imagem está diretamente ligada aos canhões coloniais que foram deixados para trás devido a grande marcha que enfrentara até chegar a Bahia com seus Mil e Trezentos bravos heróis que lutaram contra os holandeses desbravando os sertões nordestinos.


Fontes: ¹ http://www.wikitree.com/wiki/Bezerra-4
² Library of the University of Michigan/ Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.



segunda-feira, 20 de abril de 2015

Bandeira do Município, você sabia?

Bandeira do Município de Touros-RN.
Principalmente em solenidades e algumas cerimônias cívicas, o cidadão tourense se depara, muita das vezes, com a Bandeira do Município e conseguem até reconhecê-la.
Mas, será que sabem o que significa os símbolos que se encontram dentro da bandeira? Se a resposta é não, iremos aprender o que representa cada item e seu significado.



Após 135 anos de emancipação política, o município de touros cria a sua primeira Bandeira, a mesma foi idealizada por iniciativa do Juiz de Direito da Comarca de Touros, Dr. Orlando Flávio Junqueira Ayres, durante a administração do prefeito José Joaquim do Nascimento, no dia 23 de março de 1970.

A bandeira foi criada, inicialmente, em forma de um retângulo todo azul, e no centro possuí uma estrela branca onde se encontra as principais riquezas agrícolas do município, como o sisal e o coqueiro. Na parte mais central do escudo, ostenta o Farol que ilumine a noite com o seu lampejo. Por fim, abaixo do farol temos uma jangada rústica que lembra a pesca, sendo uma das mais importantes atividades econômicas do município.